O Wi-Fi do hotel é seguro? O que pode correr mal e como te proteges

O Wi-Fi do hotel é seguro? Para navegar no dia a dia, quase sempre sim, mas é uma rede pública e partilhada, por isso trata-a como tal. Hoje a maioria dos sites e apps encripta os teus dados, o que torna o uso…

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O Wi-Fi do hotel é seguro? O que pode correr mal e como te proteges

O Wi-Fi do hotel é seguro? Para navegar no dia a dia, quase sempre sim, mas é uma rede pública e partilhada, por isso trata-a como tal. Hoje a maioria dos sites e apps encripta os teus dados, o que torna o uso normal muito mais seguro do que era. Os riscos são as redes falsas com nome de hotel, os outros hóspedes na mesma rede e tudo o que seja sensível, como o banco ou os acessos do trabalho. Este guia mostra o que pode correr mal, como te proteges em poucos passos e quando é melhor usar os teus próprios dados móveis.

Viajante a trabalhar no portátil e no telemóvel num quarto de hotel com a bagagem ao lado

O Wi-Fi do hotel é seguro de usar?

Para ler notícias, ver vídeos ou consultar mapas, sim, normalmente não há problema. A Federal Trade Commission (FTC) dos EUA diz que, graças à encriptação generalizada, ligar-se a uma rede Wi-Fi pública é normalmente seguro. Procura o https e o cadeado no browser.

Mas "normalmente seguro" não quer dizer "privado". A rede de um hotel é partilhada por muitos hóspedes. O National Cyber Security Centre (NCSC) do Reino Unido avisa que ligar-se a Wi-Fi público ou a redes inseguras pode permitir que atacantes na mesma rede intercetem ou alterem os teus dados. Diz também que uma rede Wi-Fi privada protegida com WPA2 é mais segura do que um Wi-Fi público, como o de um café ou de um hotel. No Brasil, o CERT.br vai no mesmo sentido: não há forma de garantir que as redes Wi-Fi públicas estejam bem configuradas e protegidas, por isso confirma com o estabelecimento qual é a rede legítima e, para transações financeiras, prefere uma rede em que confies (Cartilha de Segurança do CERT.br: celulares e tablets).

Uma regra simples: quanto mais sensível a tarefa, menos a deves fazer no Wi-Fi do hotel.

O que pode correr mal no Wi-Fi do hotel

Redes falsas (evil twins)

Um atacante pode criar uma rede com o mesmo nome do hotel, ou um nome muito parecido. O NCSC chama a isto um ataque evil twin ("gémeo maligno"). Se vires duas redes com nomes quase iguais, pergunta na receção qual é a verdadeira antes de te ligares.

Outras pessoas na mesma rede

Uma palavra-passe partilhada significa muita gente na mesma rede. Se uma ligação não estiver encriptada, alguém nessa rede pode ler ou alterar o que envias. O HTTPS protege a maior parte do que fazes, mas só sabes que está a funcionar se confirmares o cadeado.

Sites falsos ou parecidos com os verdadeiros

A FTC avisa que os burlões também podem encriptar os seus sites falsos, por isso o cadeado não prova que o site é verdadeiro. Confirma o endereço antes de escreveres uma palavra-passe, sobretudo numa página de login que a rede do hotel te mostre.

Pessoas a olhar para o teu ecrã

Nem tudo é técnico. No lobby, no restaurante ou no elevador, alguém pode simplesmente olhar para o teu ecrã. O NCSC aconselha cuidado redobrado para que ninguém veja o que estás a fazer quando usas o teu dispositivo no estrangeiro.

Como te proteges no Wi-Fi do hotel

1. Confirma o nome da rede

Pergunta ao hotel o nome exato da rede e como se faz o login. Não entres numa rede parecida só porque tem mais sinal ou não pede palavra-passe.

2. Usa só https e confirma o endereço

Procura o cadeado ou o https na barra de endereço. Escreve tu os endereços dos sites importantes, ou guarda-os nos favoritos, em vez de abrires links que te chegam por mensagem.

3. Desliga a ligação automática

Não queres que o telemóvel entre sozinho numa rede com um nome parecido com o do hotel.

  • iPhone: vai a Definições > Wi-Fi, toca no botão Mais informações ao lado da rede e desativa o Acesso automático. A Apple explica que podes esquecer a rede ou desativar o Acesso automático para o iPhone deixar de se ligar sozinho. No guia sobre redes Wi-Fi cativas, como as dos hotéis, a Apple mostra ainda onde desativar o Início de sessão automático.
  • Android: o telemóvel volta a ligar-se às redes guardadas quando estão por perto. Vai a Definições > Rede e Internet > Internet, toca sem soltar na rede do hotel e toca em Esquecer. Os passos estão na ajuda do Android sobre Wi-Fi. Os nomes dos menus podem mudar um pouco conforme a marca do telemóvel.

No último dia, esquece a rede do hotel, para o telemóvel não voltar a entrar nela na próxima estadia.

Mulher sentada numa cama de hotel a usar o telemóvel

4. Usa uma VPN para o trabalho e para logins

Uma VPN encripta o tráfego entre o teu dispositivo e o servidor da VPN. O NCSC indica usar uma VPN como forma de ajudar a proteger os teus dados no Wi-Fi público. Liga-a antes de abrires qualquer conta sensível. Escolhe um serviço de VPN em que confies, e lembra-te de que algumas páginas de login dos hotéis não funcionam com a VPN ligada. O NCSC explica isto nas suas orientações sobre VPN. Se te acontecer, faz primeiro o login na página do hotel e só depois liga a VPN.

5. Usa palavras-passe fortes e autenticação de dois fatores

A FTC recomenda palavras-passe fortes e diferentes para cada conta, e autenticação de dois fatores sempre que estiver disponível. Com palavras-passe únicas, uma palavra-passe roubada não abre as tuas outras contas, e o segundo passo acrescenta mais uma barreira.

6. Mantém o telemóvel e o portátil atualizados

Ativa as atualizações automáticas do sistema operativo, do browser e do software de segurança. Este conselho também é da FTC. As atualizações corrigem falhas de segurança conhecidas antes de alguém as usar contra ti.

7. Termina a sessão quando acabares

Termina a sessão nas contas que abriste numa rede partilhada ou pública, sobretudo num computador do business center do hotel.

8. Passa para os dados móveis nas tarefas sensíveis

Para o banco, pagamentos e acessos do trabalho, os teus dados móveis mantêm-te completamente fora da rede do hotel. Falamos disso mais abaixo.

É seguro usar a app do banco ou os sistemas do trabalho no Wi-Fi do hotel?

A maioria das apps e sites dos bancos encripta os teus dados, por isso ver o saldo à pressa tem pouco risco numa rede que já confirmaste. Mesmo assim, o banco, os pagamentos e os sistemas da empresa são o que os atacantes mais querem. Se precisares de tratar disso em viagem, as opções mais seguras são:

  • usar os dados móveis do telemóvel em vez da rede do hotel
  • ou usar uma VPN, de preferência a que a tua empresa disponibiliza, numa rede do hotel que já confirmaste

Não envies números de cartão nem outros dados financeiros por email, mesmo numa rede em que confias. A FTC dá o mesmo conselho.

Uma opção mais segura: os teus próprios dados móveis

A forma mais simples de evitar os riscos do Wi-Fi do hotel é não o usar para nada importante. Os dados móveis do teu telemóvel dão-te uma ligação privada, que não partilhas com os outros hóspedes. Também funcionam no táxi, no café e no aeroporto, onde o Wi-Fi pode ser tão aberto como o do hotel.

O problema quando viajas para fora é o roaming, que pode sair caro com o teu tarifário habitual. Um eSIM de viagem resolve isso. Instalas no telemóvel antes de partir, pagas uma quantidade fixa de dados e manténs o teu SIM habitual para o teu número de sempre. Para uma viagem pela Europa, um tarifário só de dados como estes chega para mapas, mensagens, banco e email:

Tarifários Europa só de dados, sem número de telefone incluído · Ver todos os eSIM para a Europa · Outros destinos

Vais para outro sítio? Vê todos os destinos com eSIM. Ainda não conheces os eSIM? Lê o que é um eSIM e como o instalar. Compara as opções para a Europa no nosso guia do melhor eSIM para a Europa. Para controlares os custos, vê como evitar custos de roaming, e para mais formas de te protegeres online lê como ficar seguro online com um eSIM. Se queres saber a diferença entre Wi-Fi e dados móveis, o nosso guia sobre Wi-Fi e dados móveis explica tudo.

Perguntas frequentes

O Wi-Fi de hotel é seguro?

Normalmente não há problema para navegar no dia a dia, porque a maioria dos sites usa encriptação. Mas é uma rede pública e partilhada, por isso evita tarefas sensíveis nela, a não ser que uses uma VPN ou os teus próprios dados móveis.

É seguro usar o Wi-Fi do hotel para aceder ao banco?

A maioria das apps dos bancos encripta os teus dados, mas recomendamos que uses os dados móveis para o banco e pagamentos quando viajas. Se tiveres mesmo de usar o Wi-Fi do hotel, confirma o nome da rede com os funcionários e usa uma VPN.

O Wi-Fi do hotel é seguro com VPN?

A VPN acrescenta uma camada de proteção, porque encripta o tráfego entre o teu dispositivo e o servidor da VPN. O NCSC indica-a como forma de ajudar a proteger os teus dados no Wi-Fi público. Não substitui os bons hábitos, como confirmar o nome da rede e usar autenticação de dois fatores.

Os hackers podem entrar no meu telemóvel pelo Wi-Fi do hotel?

Segundo o NCSC, alguém na mesma rede pode tentar intercetar ou alterar dados não encriptados. Manter o dispositivo atualizado e usar sites https reduz muito esse risco.

O hotel consegue ver o que faço na internet?

É o hotel que gere a rede, por isso parte do princípio de que consegue ver que te ligaste e pode registar alguma atividade. O HTTPS mantém o conteúdo das páginas encriptadas privado em relação aos outros na rede. Se quiseres a tua navegação totalmente fora da rede do hotel, usa os dados móveis.

A palavra-passe do Wi-Fi do hotel chega para a rede ser segura?

Não. A palavra-passe é partilhada com todos os hóspedes, por isso só deixa de fora quem não está no hotel. Continua a tratá-la como qualquer Wi-Fi público.

É seguro usar o Wi-Fi do hotel na Europa ou no estrangeiro?

Os riscos são os mesmos em qualquer parte do mundo. A diferença está no custo: o roaming com o teu tarifário pode sair caro, e é por isso que muitos viajantes usam um eSIM de dados local em vez do Wi-Fi do hotel para tudo.

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