Se ficares doente no estrangeiro, começa pelo básico: decide se é uma emergência, liga para o número de emergência local se for, e avisa cedo o teu seguro de viagem. Na UE, o número de emergência é o 112 e a chamada é gratuita. O Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) cobre os cuidados de saúde públicos, mas não substitui um seguro de viagem.
A seguir encontras o que fazer passo a passo, como funcionam o cartão europeu e o seguro, como encontrar tratamento médico no estrangeiro e o que tratar antes de partir.
O que fazer primeiro se ficares doente no estrangeiro
1. Decide se é uma emergência
Dor no peito, dificuldade em respirar, uma hemorragia forte, confusão repentina ou uma lesão grave pedem uma ambulância já. Para problemas mais ligeiros, como uma constipação, uma indisposição de estômago ou um pequeno corte, normalmente basta uma farmácia ou uma consulta.
2. Liga para o número de emergência local
Em todos os países da UE podes ligar gratuitamente para o 112 a partir de um telefone fixo ou de um telemóvel. Ficas em contacto direto com a polícia, a ambulância ou os bombeiros (A sua Europa). Alguns países mantêm também os seus números nacionais, e na mesma página encontras os números de emergência de cada país da UE. Fora da UE, procura o número antes de ires e guarda-o no telemóvel.
3. Liga cedo para o teu seguro de viagem
Liga para a linha de emergência da tua apólice antes de aceitares qualquer tratamento caro. O seguro pode dizer-te com que clínicas e hospitais trabalha, e alguns pagam diretamente ao hospital. Se fores encaminhado para uma unidade de saúde, contacta o seguro ou a empresa de assistência o quanto antes. Guarda todos os recibos, relatórios e faturas.
4. Usa o teu cartão de saúde, se tiveres um
Na UE, mostra o teu CESD num prestador público. Mais detalhes abaixo.
5. Contacta a embaixada ou o consulado se for grave
O consulado não te dá aconselhamento médico nem paga um médico por ti. Pode facilitar o contacto com os hospitais em caso de acidente ou doença e garantir que os teus familiares mais próximos são informados (MNE, Conselhos aos viajantes). Os portugueses podem ligar 24 horas para a Emergência Consular: +351 217 929 714 ou +351 961 706 472 (Portal das Comunidades). Para os brasileiros, os acidentes graves contam como emergência consular (Itamaraty).
Como encontrar um médico ou hospital no estrangeiro
- Pergunta primeiro ao teu seguro. Sabe que unidades paga diretamente.
- Pede ajuda ao consulado. Na rede consular portuguesa encontras a embaixada ou o consulado mais próximo, que pode facilitar o contacto com unidades hospitalares.
- Pergunta no hotel ou ao anfitrião. Costumam saber onde fica a clínica mais próxima ou o médico de serviço fora de horas.
- Para problemas ligeiros, vai a uma farmácia. Os farmacêuticos podem aconselhar-te sobre problemas comuns e dizer-te quando deves ir ao médico.
- Usa os serviços públicos com o teu cartão. O CESD só funciona em hospitais públicos ou centros de saúde, não no privado.
Vais precisar de dados ou Wi-Fi para procurar clínicas, ligar ao seguro e usar uma app de tradução. Vê como lidar com emergências no estrangeiro (em inglês) para a lista completa.
Cartão Europeu de Seguro de Doença: o que cobre
O Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) cobre os cuidados médicos necessários no sistema público durante uma estadia temporária noutro país da UE. És tratado nas mesmas condições que as pessoas cobertas pelo sistema de saúde desse país (A sua Europa).
- O cartão é gratuito. Pede-o só ao organismo responsável pela tua cobertura médica, porque há sites fraudulentos que cobram pela emissão. Em Portugal pedes o CESD à Segurança Social, online na Segurança Social Direta ou ao balcão. Chega a casa em cerca de 7 dias úteis e é válido por 3 anos (SNS 24).
- Cobre só os cuidados públicos. Não cobre o privado, nem operações de salvamento, nem o repatriamento. Para isso precisas de um seguro privado (A sua Europa).
- Cartão gratuito não quer dizer tratamento gratuito. Podes ter de pagar taxas moderadoras ou comparticipações, como um residente, ou pagar à cabeça e pedir o reembolso.
- As regras variam com o país e a nacionalidade. Na Dinamarca, na Islândia, no Listenstaine, na Noruega e na Suíça, quem não é cidadão da UE só pode usar o cartão em casos específicos. Confirma antes de partir.
- Se perdeste ou esqueceste o cartão, a Segurança Social emite um Certificado Provisório de Substituição (CPS), que te dá os mesmos direitos.
Se não tiveres cartão nenhum, não te podem recusar tratamento num país da UE, mas podes ter de pagar diretamente e pedir o reembolso quando voltares (A sua Europa). Se vives no Brasil, não tens CESD, por isso o seguro de viagem é a tua principal proteção.
Seguro de viagem: o que acrescenta
O cartão europeu e os planos de saúde nacionais muitas vezes ficam pela fronteira ou pelo sistema público. O seguro de viagem cobre o resto, como o tratamento privado, o resgate na montanha e o transporte de doentes ou o repatriamento. O Ministério dos Negócios Estrangeiros aconselha um seguro que inclua assistência médica e despesas de repatriação, e que confirmes as condições do contrato, como a idade, os limites territoriais e os prazos (MNE).
- Declara as tuas doenças. Informa o seguro de qualquer problema de saúde, incluindo os que ainda estão a ser investigados, e confirma que está coberto.
- Confirma o teu seguro de saúde. O Itamaraty considera o seguro-saúde altamente recomendável, sobretudo para quem já tem algum problema de saúde. Deve ser completo e cobrir toda a estadia, e alguns países exigem-no à entrada (Itamaraty).
- Leva a papelada. Imprime a apólice e guarda uma cópia online. Também ajuda teres uma forma alternativa de pagar despesas inesperadas.
E se não tiveres seguro?
Pede uma fatura discriminada e guarda todos os recibos. Num país da UE, o CESD continua a dar-te acesso aos cuidados públicos nas condições locais. Sem qualquer cobertura, pagas tudo. O Estado não paga por ti: um consulado português não pode pagar um médico nem garantir o transporte de doentes para Portugal quando há tratamento adequado no local, e só promove a repatriação em casos excecionais de falta de meios, com compromisso de reembolso (MNE). O Governo brasileiro também não pode pagar despesas médicas de brasileiros no exterior (Itamaraty). Os custos variam muito de país para país, por isso informa-te sobre o teu destino antes de viajar.
Mantém-te ligado enquanto estás doente
Ficar doente no estrangeiro é mais fácil quando consegues ir à internet logo. Vais querer ligar ou mandar mensagem ao seguro, procurar a clínica mais próxima, traduzir sintomas e dizer à família onde estás. Um eSIM de viagem (em inglês) dá-te dados locais sem trocar de cartão SIM, e podes instalá-lo em casa antes de voares. O teu SIM habitual pode continuar ativo no mesmo telemóvel para chamadas e SMS.
Vais para a Europa? O Travel Basic+ é o tarifário desta lista que traz um número de telefone francês para chamadas e SMS, útil se uma clínica ou o seguro precisar de te ligar de volta. Os tarifários Europa 5GB e Europa 10GB não incluem número, por isso usas os dados para apps de mensagens e chamadas pela internet.
Tarifários para a Europa · O Travel Basic+ inclui um número francês, os outros tarifários são só de dados · Vê todos os eSIM para a Europa ou encontra o teu destino
Vais para outro sítio? A ideia é a mesma com um tarifário para os EUA ou qualquer outro destino. O nosso guia para instalar um eSIM mostra como o configurar antes de voares, e as melhores aplicações de viagem reúnem ferramentas úteis para descarregar com antecedência.
Antes de partir: uma lista rápida
- Marca uma consulta do viajante, idealmente 1 a 2 meses antes da viagem, e leva o teu boletim de vacinas (SNS 24).
- Pede ou renova o teu CESD se vais viajar na Europa.
- Faz um seguro de viagem e guarda o número de emergência 24 horas no telemóvel e em papel.
- Confirma as regras para levar os teus medicamentos. Vê as regras para viajar com medicamentos sujeitos a receita médica.
- Guarda o número de emergência local e os contactos da tua embaixada. Os portugueses podem registar-se na app gratuita Registo Viajante do MNE para serem contactados em caso de emergência.
- Instala o teu eSIM e guarda mapas offline antes de partir.
Perguntas frequentes
Como funciona o tratamento médico no estrangeiro?
Podes ser tratado, mas normalmente pagas como visitante, a não ser que um cartão de saúde, um acordo entre países ou o teu seguro cubra a despesa. Se for urgente, liga para o número de emergência local, contacta o seguro e guarda todos os recibos.
O que fazer se ficares doente no estrangeiro sem seguro?
Primeiro, recebe os cuidados de que precisas. Depois pede uma fatura discriminada e guarda o comprovativo de pagamento. Nos países da UE, o CESD pode cobrir os cuidados públicos. O consulado pode dar algum apoio, mas não paga contas nem te traz para casa.
O 112 é o número de emergência em todo o lado?
Não. Funciona em todos os países da UE e em muitos outros países da Europa e do mundo. Confirma o número do teu destino antes de viajar.
O Cartão Europeu de Seguro de Doença substitui o seguro de viagem?
Não. O CESD não cobre o repatriamento, as operações de salvamento nem os cuidados privados, por isso continuas a precisar de um seguro de viagem.
O consulado paga o hospital ou o transporte de doentes para casa?
Não. Um consulado português não pode pagar um médico nem garantir o repatriamento sanitário quando há tratamento adequado no local. Pode facilitar o contacto com hospitais e informar a tua família.
O meu seguro de saúde cobre-me no estrangeiro?
Nem sempre. Confirma com a tua seguradora antes de partir. O Itamaraty recomenda um seguro-saúde completo que cubra toda a estadia, sobretudo para quem já tem algum problema de saúde.
Como evitar ficar doente em viagem?
Vai a uma consulta do viajante 1 a 2 meses antes de partir, toma as vacinas que te aconselharem e informa-te sobre o teu destino. O nosso guia sobre como encontrar água potável segura (em inglês) também ajuda.
